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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Mestre Pastinha

pastinha
Vicente Ferreira Pastinha nasceu em Salvador, a 05 de abril de 1889. Em entrevista à revista Realidade, em 1967,mestre Pastinha declara que aprendeu a capoeira com o "Velho Africano", mestre Benedito. Este teria ficado com dó de Pastinha, aos dez anos, apanhava diariamente de um garoto. A princípio, Pastinha ensinava capoeira para os colegas da marinha, onde ingressou aos 12 anos. Depois que saiu, aos 20 anos, abriu sua primeira escola de capoeira na sede de uma oficina de ciclistas. .Nesse local, a escola ficou aberta de 1910 à 1922.Após esse período, mudou-se para o Cruzeiro de São Francisco.. Além de capoeirista, Pastinha era também pintor ;chegando a dar aulas de pintura á óleo.. Em 1941, mestre Pastinha fundou o "centro esportivo de capoeira angola", graças ao mestre Amorzinho que lhe ofereceu a academia e insistiu para que ele a dirigisse. Para Pastinha a capoeira "de angola" se diferencia da capoeira regional por "não ter método", "ser sagrada" e "maliciosa". Pastinha não aceitava a mistura feita por mestre Bimba, que incorporou à capoeira movimentos de outras lutas.. Na capoeira angola, como explica Pastinha, o capoeirista lança mão de inúmeros artifícios para enganar e distrair o adversário. Finge que se retira e volta-se rapidamente. Pula para um lado e para outro. Gira para todos os lados e se contorce numa "ginga" maliciosa e desconcertante. Apesar de ser uma das grandes celebridades da vida popular da Bahia, chegando a ir até o continente africano- convidado pelo Ministério da Relações Exteriores do Brasil, como integrante da delegação brasileira, junto ao "Premier Festival Internacional des Arts Negres, de Dakar, em abril de 1966-Pastinha, no final de sua vida, foi praticamente esquecido. Chegou a ser despejado de onde morava e, em fins de 1979, após um derrame cerebral e internação de um ano em hospital Público, vai para o abrigo D. Pedro segundo.. Morre aos 92 anos, em 14 de outubro de 1981. Em seu enterro, foi homenageado com toques de Berimbau.

Mestre Bimba


bomba 2
Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba (1900/1974), foi um dos maiores capoeiristas de todos os tempos. Excelente jogador, lutador respeitado, era um exímio cantador e tocador de berimbau.
Bimba foi o primeiro capoeirista a receber uma autorização dos órgãos públicos para o funcionamento de uma academia oficial para a prática da Capoeira.
Mestre Bimba revolucionou a concepção conservadora que se tinha da Capoeira, criou seu estilo próprio, transformando-a em arte e esporte popular. Foi convidado pelo Presidente da República, Getúlio Vargas, para fazer uma exibição, ocasião em que Getúlio declarou que a Capoeira era uma luta de valor sem igual.
É o nosso grande Patrono, respeitado e admirado por todos os capoeiristas, recebeu o título de Doutor Honoris Causa post-mortem pela Universidade Federal da Bahia, por notório saber.

domingo, 27 de março de 2011

MESTRE PASTINHA


Mestre Pastinha fala um pouco sobre sua vida



Mestre Pastinha fala um pouco sobre sua vida...

Mestre Pastinha - Eu ja vivo enjoado ladainhas, corridos





Capoeira Angola: Academia de Mestre Pastinha



Mestre Pastinha com sua escola de capoeira angola,e mestre Curió vadiando.

sábado, 26 de março de 2011

INSTRUMENTOS DA CAPOEIRA


INSTRUMENTOS
Os instrumentos utilizados na capoeira, têm como procedência, as mais diversas. Os mais utilizados hoje em dia são: o berimbau, o pandeiro, o atabaque e o agogô. A roda de capoeira, no sistema da ABADÁ-Capoeira, deve possuir 3 berimbaus (Gunga, médio e viola), 1 atabaque, 2 pandeiros e 1 agogô.

BERIMBAU

Talvez desde a pré-história o arco musical se constitui numa das formas de instrumento encontradas pelo homem, na busca da expressão sonora que lhe permitisse exteriorizar o íntimo. E o acompanhou no decorrer da sua evolução, presente em diversas culturas até os dias atuais. Acreditam alguns pesquisadores que o arco musical resultaria do desenvolvimento do arco de caça - cuja invenção pode ter ocorrido em algum momento entre cerca de 20.000 a 15.000 anos passados, no norte da África. Outros já supuseram exatamente o contrário: o arco de caça é que teria se originado do arco musical... E para aumentar o elenco de possibilidades, existem opiniões que discordam das anteriores: o arco musical e o arco de caça tiveram origem e desenvolvimento completamente independentes um do outro...Dentre a diversidade de teorias a respeito do arco musical predomina certa concordância, ao ser fixado o período por volta de 15.000 a.C. como época em que possivelmente ocorreria o seu uso pelo homem primitivo. Pinturas localizadas em uma caverna (Les Trois Fréres) na região sudeste da França e datadas em época aproximada nesse período da pré-história, retratam um homem que se veste com peles de bisão, trazendo seguro um objeto que se parece com o arco, mantido próximo do rosto. Abbé Breuil identificou o desenho como de um homem tocando um arco musical.De todo modo, relatos mais recentes de exploradores e viajantes, particularmente do século XIX, trazem outras evidências do arco musical na África Central, do Sul, Patagônia, Novo México, Brasil...Existem formas diversas de classificação do arco musical. Assim, tanto pode ser incluído na categoria de cítaras, quanto algumas formas se encaixam com maior facilidade na classe das harpas. Mais uma vez, qualquer que seja a opinião seguida, o arco musical se fez presente nas antigas culturas egípcia, assíria, caldéia, fenícia, persa, hindu. Na África, muitas espécies de arco musical podem ser encontradas entre tribos de Uganda, pigmeus do Congo, em Angola e noutras regiões. Como não foram efetuadas pesquisas em profundidade no Brasil e continente africano antes do final do século passado, não existem informações documentais quanto à presença e uso do arco musical, na forma por nós conhecida como berimbau, antes dessa época. Com certeza existiam - já que são utilizados tradicionalmente - há muito tempo no continente africano. O que não podemos é precisar desde quando. Informações importantes foram prestadas por inúmeros exploradores, viajantes e pesquisadores do período final do século passado e alguns mais recentes, que apesar de fazerem narrativas um tanto superficiais e sem detalhes, nos permitem estabelecer a presença do nosso berimbau na África, originando sua presença também no Brasil, pois além das formas idênticas, são iguais em construção e tocados do mesmo modo. Resumindo, registram o mesmo instrumento, seja qual for a denominação dada em cada lugar.O mais antigo desenho desse instrumento é dos exploradores Capelo e Ivens, que fizeram o desenho de um arco musical em tudo semelhante ao berimbau em 'De Benguela às terras de Iaca', Lisboa, 1881. O texto, porém, não traz nenhum comentário a respeito do instrumento. Uma antiga narrativa foi feita por Ladislau Batalha, no livro Angola, editado no ano de 1889, em Lisboa: "O humbo é o tipo dos instrumentos de corda. Consta geralmente de metade de uma cabaça, oca e bem seca. Furam-na no centro, em dois pontos próximos. À parte, fazem um arco como de flecha, com a competente corda. Amarram a extremidade do arco, com uma cordinha do mato, à cabaça, por via dos dois orifícios; então, encostando o instrumento à pele do peito que serve neste caso de caixa sonora, fazem vibrar a corda do arco, por meio de uma palhinha."A descrição não deixa dúvidas. Em que pese a ausência de detalhes mais específicos, o humbo é realmente nosso velho e conhecido berimbau. O mesmo Ladislau Batalha torna a referir-se a ele em Costumes Angolenses, de 1890, também publicado em Lisboa: "Um negralhão toca no seu humbo, espécie de guitarra de uma só corda a que o corpo nu do artista serve de caixa sonora."No mesmo ano de 1890, ainda em Lisboa, Henrique Augusto Dias de Carvalho, em sua Etnografia e História Tradicional dos Povos da Lunda, desenhou o mesmo instrumento, sozinho e com outros, incluindo a denominação rucumbo e a descrição seguinte: "O rucumbo, constituído de uma corda distendida em arco de madeira flexível, que tem numa das extremidades uma pequena cabaça a servir de caixa de ressonância; o arco fica entalado entre o corpo e o braço esquerdo, indo a mão correspondente segurar nele a certa altura, e os sons são obtidos com a mão direita, por intermédio de uma pequena varinha que tange a corda em diferentes alturas." O major Dias de Carvalho afirma ainda que "os lundas chamam-lhe violôm. Tocam-no quando passeiam e também quando estão deitados nas cubatas". Diz ainda que o instrumento era "muito cômodo e portátil".Do Álbum Etnográfico de José Redinha, Luanda, s.d., consta um desenho de instrumento com a descrição a seguir: "Um monocórdio, lucungo, com caixa de ressonância, constituída por um copo de cabaça." Outra informação da existência africana do berimbau decorre de Albano de Neves e Souza, consultado por Luís da Câmara Cascudo, e que afirmou: "(...) um instrumento aí chamado de Berimbau e que nós chamamos hungu ou m'bolumbumba, conforme os lugares e que é tipicamente pastoril, instrumento esse que segue os povos pastoris até a Swazilândia, na costa oriental da África." No Brasil, um dos primeiros a fazer o registro da presença do berimbau foi Henry Koster, que descreveu o instrumento da seguinte forma: "(...) um grande arco com uma corda tendo uma meia quenga de coco no meio, ou uma pequena cabaça amarrada. Colocam-na contra o abdome e tocam a corda com o dedo ou com um pedacinho de pau."Jean Baptiste Debret, em viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, deixou-nos o desenho de um tocador de berimbau e uma descrição do instrumento, ao qual denomina urucungo: "E finalmente o urucungo, aqui representado. Este instrumento se compõe da metade de uma cabaça aderente a um arco formado por uma varinha curva com um fio de latão, sobre o qual se bate ligeiramente. Pode-se ao mesmo tempo estudar o instinto musical do tocador que apoia a mão sobre a frente descoberta da cabaça, a fim de obter pela vibração um som mais grave e harmonioso. Este efeito, quando feliz, só pode ser comparado ao som de uma corda e tímpano, pois é obtido batendo-se ligeiramente sobre a corda com uma pequena vareta que se segura entre o indicador e o dedo médio da mão direita." Outra descrição acompanha a gravura que reproduz um instrumento em tudo idêntico ao berimbau, colocado à mão de um vendedor e que nos foi deixada por Johhan Emmanuel Pohl, em Viagem no Interior do Brasil, de 1832, onde afirma: "Os negros gostam muito de música. Consta da gritaria monótona de um entoador, como estribilho e seguido por todo o coro de maneira igualmente monótona, ou, quando instrumental, do sonido de uma corda retesada num pequeno arco, num simples instrumento que descansa sobre uma cabaça esvaziada que dá, no máximo, três tons..." Estas são as descrições e referências mais antigas ao berimbau conhecidas até o momento. Apesar de ligeiras discordâncias quanto à denominação e detalhes menores, de há muito o berimbau se faz presente ao lado do negro, garantindo-lhe a presença da música no momento desejado.
PANDEIRO
No Brasil, o pandeiro entrou por via portuguesa (origem provável é árabe). O negro aproveitou o pandeiro para utiliza-lo em seus folguedos. O pandeiro era usado para acompanhar as procissões religiosas, assim como ele fez parte da primeira procissão que se realizou no Brasil, em 13 de junho de 1549 na Bahia (Corpus Christi). Feito de couro de cabra e madeira, de forma arredondada, É o som cadenciado do pandeiro que acompanha o som do berimbau, dando "molejo" ao som da roda. Ao tocador de pandeiro é permitido executar floreios e viradas para enfeitar a música.
 ATABAQUE
Instrumento de origem árabe, que foi introduzido na África por mercadores que entravam no continente através dos países do norte, como o Egito e foi introduzido no Brasil, também pelos portugueses, apesar de o mesmo já ser conhecido pelos africanos. É geralmente feito de madeira de lei como o jacarandá, cedro ou mogno cortada em ripas largas e presas umas às outras com arcos de ferro de diferentes diâmetros que, de baixo para cima dão ao instrumento uma forma cônico-cilíndrica, na parte superior, a mais larga, são colocadas "travas" que prendem um pedaço de couro de boi bem curtido e muito bem esticado. acompanha o solo do berimbau.
 AGOGÔ
Instrumento musical de percurssão, de origem africana composto de um pequeno arco, uma alça de metal com um cone metálico em cada uma das pontas, estes cones são de tamanhos diferentes, portanto produzindo sons diferentes que também são produzidos com o auxílio de um ferrinho que é batido nos cones. Também faz parte da "BATERIA" da roda de capoeira.. O termo agogô pertence a língua nagô e vem do vocábulo agogô, que quer dizer sino.

História da Capoeira





O Brasil a partir do século XVI foi palco de uma das maiores violências contra um povo. Mais de dois milhões de negros foram trazidos da África, pelos colonizadores portugueses, para se tornarem escravos nas lavouras da cana-de-açúcar. Tribos inteiras foram subjugadas e obrigadas a cruzar o oceano como animais em grandes galeotas chamadas de navios negreiros. Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro foram os portos finais da maior parte desse tráfico.
Ao contrário do que muitos pensam, os negros não aceitaram pacificamente o cativeiro; a história brasileira está cheia de episódios onde os escravos se rebelaram contra a humilhante situação em que se encontravam. Uma das formas dessa resistência foi o quilombo; comunidades organizadas pelos negros fugitivos, em locais de difícil acesso. Geralmente em pontos altos das matas. O maior desses quilombos estabeleceu-se em Pernambuco no século XVII, numa região conhecida como Palmares. Uma espécie de Estado africano foi formado. Distribuído em pequenas povoações chamadas mocambos e com uma hierarquia onde no ápice encontrava-se o rei Ganga-Zumbi, Palmares pode ter sido o berço das primeiras manifestações da Capoeira.
Desenvolvida para ser uma defesa, a Capoeira foi sendo ensinada aos negros ainda cativos, por aqueles que eram capturados e voltavam aos engenhos. Para não levantar suspeitas, os movimentos da luta foram sendo adaptados às cantorias e músicas africanas para que parecessem uma dança. Assim, como no Candomblé, cercada de segredos, a Capoeira pode se desenvolver como forma de resistência.
Do campo para a cidade a Capoeira ganhou a malícia dos escravos de 'ganho' e dos frequentadores da zona portuária. Na cidade de Salvador, capoeiristas organizados em bandos provocavam arruaças nas festas populares e reforçavam o caráter marginal da luta. Durante décadas a Capoeira foi proibida no Brasil. A liberação da sua prática deu-se apenas na década de 30, quando uma variação da Capoeira (mais para o esporte do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente, Getúlio Vargas. De lá para cá a Capoeira Angola aperfeiçoou-se na Bahia mantendo fidelidade às tradições, graças principalmente ao seu grande guru, Mestre Pastinha , que jogou Capoeira até os 79 anos, formando gerações de angoleiros .



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Mestre Pastinha

Elementos da Capoeira Angola
Já dizia o Mestre Pastinha, "Capoeira Angola é, antes de tudo, luta e luta violenta." Mas atualmente a Capoeira é normalmente  praticada como um  esporte ou simplesmente folclore para perservar as tradições.



É claro que entre os praticantes sérios, em seus treinos, os golpes são apenas simulados e a Capoeira torna-se um exercício físico e mental. A violência dos seus golpes, no entanto, não deixa espaço para meio termo; ou joga-se Capoeira 'para valer', com as suas sérias consequências ou apenas simula-se um jogo. A possibilidade de enquadrá-la em regras esportivas é inexistente; quem assim o faz está sendo leviano ou não conhece de fato a Capoeira.
Os Golpes 
A Capoeira Angola tem um número relativamente pequeno de golpes que podem, no entanto, atingir uma harmoniosa complexidade através de suas variações. Assim como a música tem apenas sete notas .
Os seus principais golpes são: Cabeçada, Rasteira, Rabo de Arraia, Chapa de Frente, Chapa de Costas, Meia Lua e Cutilada de Mão.
A Música
A Capoeira é a única modalidade de luta marcial que se faz acompanhada por instrumentos musicais. Isso deve-se basicamente às suas origens entre os escravos, que dessa forma disfarçavam a prática da luta numa espécie de dança, enganando os senhores de engenho e os capitães-do-mato. No início esse acompanhamento era feito apenas com palmas e toques de tambores. Posteriormente foi introduzido o Berimbau (foto), instrumento composto de uma haste tensionada por um arame, tendo por caixa de ressonância uma cabaça cortada. O som é obtido percutindo-se uma haste no arame; pode-se variar o som abafando-se o som da cabaça e (ou) encostando uma moeda de cobre no arame; complementa o instrumento o caxixi, uma cestinha de vime com sementes secas no seu interior.
O Berimbau, um instrumento usado inicialmente por vendedores ambulantes para atrair fregueses, tornou-se instrumento símbolo da Capoeira, conduzindo o jogo com o seu timbre peculiar. Os ritmos são em compasso binário e os andamentos - lento, moderado e rápido são indicados pelos toques do Berimbau. Entre os mais conhecidos estão o São Bento Grande, o São Bento Pequeno (mais rápido), Angola, Santa Maria, o toque de Cavalaria (que servia para avisar a chegada da polícia), o Amazonas e o Iuna.
Numa roda de angoleiros o conjunto rítmico completo é composto por: três berimbaus (um grave - Gunga; um médio e um agudo - Viola); dois pandeiros; um reco-reco; um agogô e um atabaque. A parte musical tem ainda ladainhas que são cantadas e repetidas em coro por todos na roda. Um bom capoeirista tem obrigação de saber tocar e cantar os temas da Capoeira. 

O Jogo 
"Capoeira é um diálogo de corpos, eu venço quando o meu parceiro não tem mais respostas para as minhas perguntas" - Mestre Moraes. O jogo da Capoeira na forma amistosa, ou seja, na roda é verdadeiramente um diálogo de corpos. Dois capoeiristas se benzem ao pé do Berimbau e iniciam um lento balé de perguntas e respostas corporais, até que um terceiro 'compre o jogo' e assim desenvolve-se sucessivamente até que todos entrem na roda. 

A Malícia 
Elemento básico da Capoeira Angola, a malícia ou mandinga a torna ainda mais perigosa. Essa malandragem que faz que vai e não vai, retira-se e volta rapidamente; essa ginga de corpo que engana o adversário, faz o diferencial da Capoeira em relação às outras artes marciais. Essa é uma característica que não se aprende apenas treinando.
Mestres

Vicente Ferreira Pastinha
 (1889-1982) - Mestre Pastinha, "mestre da Capoeira de Angola e da cordialidade baiana, ser de alta civilização, homem do povo com toda a sua picardia, é um dos seus ilustres, um de seus obás, de seus chefes. É o primeiro em sua arte; senhor da agilidade e da coragem..." Jorge Amado. Baiano de Salvador, do Pelourinho, Pastinha foi o grande mestre da Capoeira Angola, aperfeiçoando a arte centenária dos escravos. Ele organizou uma escola, estabeleceu um método de ensino com base nas antigas tradições e ainda escreveu o primeiro livro do gênero, onde expõe a sua concepção filosófica. Foi com o Mestre Pastinha que foram instituidas as cores amarelo e preto para o uniforme dos angoleiros e a constituição da bateria composta por três berimbaus, dois pandeiros, um atabaque, um reco-reco e um agogô. "Capoeira é tudo o que a boca come", dizia ele na sua singular filosofia. Formou capoeiristas como João Grande, João Pequeno, Curió e tantos outros.



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Antônio Carlos MoraesMestre Caiçara
Uma das lendas da Capoeira; sua história mais parece tirada de livros de ficção. Numa época em que o Pelourinho não tinha o glamour de hoje, Mestre Caiçara ditava as regras num território de prostitutas e cafetões; de traficantes e malandros. Todos tinham que pedir a sua benção. Gravou um dos principais discos da Capoeira Angola onde exemplifica os diversos toques de berimbau, além de cantar ladainhas e sambas de roda. Faleceu em agosto de 1997. 

João Pereira dos Santos
Mestre João Pequeno
Aluno do Mestre Pastinha e um dos mais antigos e importantes mestres da Capoeira Angola em atividade. Pela academia do Mestre João Pequeno, no Centro Histórico de Salvador, passaram alguns dos principais angoleiros da nova geração. É possível vê-lo quase todas as noites jogando e ensinando a tradicional arte da Capoeira. Academia de Capoeira Angola de Mestre João Pequeno Centro de Cultura Popular Forte de Santo Antônio - Santo Antônio além do Carmo
 Salvador - Bahia

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João Oliveira dos Santos
Mestre João Grande

Phd Honoris Causa. Um dos principais díscipulos do mestre Pastinha. Por mais de 40 anos o Mestre João Grande tem praticado e ensinado Capoeira Angola. Ele viajou para África, Europa e América do Norte, onde ensina atualmente, em sua academia na cidade de New York. De lá ele continua mantendo o intercâmbio com a Bahia e acompanhando a movimentação da Associação Brasileira de Capoeira Angola.
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Roda de Capoeira

História da Capoeira



O Surgimento
 
                                        O  surgimento da  Capoeira no Brasil foi devido as condições em que
                                        os  escravos eram  obrigados  a viver , condições  que  muitas  vezes
                                        os levavam a morte.A cultura africana sofre modificações face à nova
                                        realidade  e toda  a  revolta de  um povo  vai se  moldando a  ansia de
                                        liberdade , surge  então a  capoeira uma luta em forma  de  dança que
                                        tornou realidade um sonho chamado de liberdade.
                                                 .
      A Luta
                                        A  Capoeira  é  uma  luta  de  defesa  e  ataque em que os praticantes 
                                        usam  os  pés e  a  cabeça sendo as mãos de menor uso mas nunca de
                                        menor importância tanto para o ataque como na defesa . Os europeus
                                        acostumados a lutar com as mãos não tinham  a menor  chance contra
                                        os negros e perdiam fácil  . Os senhores  de engenhos proibiram então
                                        a prática dessa luta entre  os  escravos , sofrendo  pressão da Polícia
                                        Imperial e Milícia Republicana, Os negros porém acharam uma solução:
                                        disfaçaram  a Capoeira colocando mimicas e danças acompanhadas de
                                        músicas . Quando o feitor passava pelos negros "Brincando de Angola"
                                        batia  palmas , apreciava , achava  bonito sem saber  que ales estavam
                                        praticando a já proibida capoeira . Assim disfarçada em divertimento a
                                        capoeira sobreviveu até os dias de hoje.
                                                  .
       Na Verdade oque é a Capoeira???

Já dizia o Mestre Pastinha, "Capoeira Angola é, antes de tudo, luta e luta violenta." É 
 importante que esse aspecto seja ressaltado, já que o consenso atual entre os leigos e as
 pessoas que a praticam de forma equivocada, é considerar a Capoeira uma forma de dança
ou simplesmente folclore para turista ver. É claro que entre os praticantes sérios, em seus
treinos, os golpes são apenas simulados e a Capoeira torna-se um exercício físico e mental.
violência dos seus golpes, no entanto, não deixa espaço para meio termo; ou joga-se
Capoeira 'para valer', com as suas sérias consequências ou apenas simula-se um jogo. A possibilidade de enquadrá-la em regras esportivas é inexistente; quem assim o faz
                                        não conhece de fato a Capoeira.
                                                  .
                  O Jogo

 "Capoeira é um diálogo de corpos, eu venço quando o meu parceiro não tem mais respostas 

 para as minhas perguntas" - Mestre Moraes. O jogo da Capoeira na forma amistosa, ou seja, 
 na roda é verdadeiramente um diálogo de corpos. Dois capoeiristas partem do "pé" do 
 Berimbau e iniciam um lento balé de perguntas e respostas corporais, até que um terceiro 

 'compre o jogo' e assim desenvolve-se sucessivamente até que todos entrem na roda.

                                                  .
               A Malícia
Elemento básico da Capoeira Angola, a malícia a torna ainda mais perigosa. Essa
malandragem que faz que vai e não vai, retira-se e volta rapidamente; essa ginga de
corpo que engana o adversário, faz o diferencial da Capoeira em relação às outras
artes marciais. Essa é uma característica que não se aprende apenas treinando.

                                                  .
                Os Golpes
A Capoeira (de Angola) tem um número relativamente pequeno de golpes que podem, no
entanto, atingir uma harmoniosa complexidade através de suas variações. Assim como a
música tem apenas sete notas. Os seus principais golpes são: Cabeçada, Rasteira, Rabo de
Arraia, Chapa de Frente, Chapa de Costas, Meia Lua e Cutilada de Mão.

                                                  .
               A Música
A Capoeira é a única modalidade de luta marcial que se faz acompanhada por instrumentos
musicais. Isso deve-se basicamente às suas origens entre os escravos, que dessa forma
disfarçavam a prática da luta numa espécie de dança, enganando os senhores de engenho e
os capitães-do-mato. No início esse acompanhamento era feito apenas com palmas e
toques de tambores. Posteriormente foi introduzido o Berimbau instrumento composto de
uma haste tensionada por um arame, tendo por caixa de ressonância uma cabaça cortada.
O som é obtido percutindo-se uma haste no arame; pode-se variar o som abafando-se o
som da cabaça e (ou) encostando uma moeda de cobre no arame; complementa o
instrumento o caxixi, uma cestinha de vime com sementes secas no seu interior. O
Berimbau, um instrumento usado inicialmente por vendedores ambulantes para atrair
fregueses, tornou-se instrumento símbolo da Capoeira, conduzindo o jogo com o seu t
imbre peculiar. Os ritmos são em compasso binário e os andamentos - lento, moderado e
rápido são indicados pelos toques do Berimbau. Numa roda de angoleiros o conjunto
rítmico completo é composto por: três berimbaus (um grave - Gunga; um médio e um
agudo - Viola); dois pandeiros; um reco-reco; um agogô e um atabaque. A parte musical
tem ainda músicas que são cantadas e repetidas em coro por todos na roda. Um bom 

Capoeirista tem obrigação de saber tocar e cantar os temas da Capoeira.
 

História da Capoeira

Origem da palavra capoeira, cultura afro-brasileira, luta, funções sociais, como começou

 a capoeira, proibição, transformação em esporte nacional, os estilos



Escravos jogando capoeira no Brasil Colônia

Raízes africanas 
A história da capoeira começa no século XVI, na época em que o Brasil era colônia de Portugal. A mão-de-obra escrava africana foi muito utilizada no Brasil, principalmente nos engenhos (fazendas produtoras de açúcar) do nordeste brasileiro. Muitos destes escravos vinham da região de Angola, também colônia portuguesa. Os angolanos, na África, faziam muitas danças ao som de músicas. 

No Brasil 
Ao chegarem ao Brasil, os africanos perceberam a necessidade de desenvolver formas de proteção contra a violência e repressão dos colonizadores brasileiros. Eram constantemente alvos de práticas violentas e castigos dos senhores de engenho. Quando fugiam das fazendas, eram perseguidos pelos capitães-do-mato, que tinham uma maneira de captura muito violenta.

Os senhores de engenho proibiam os escravos de praticar qualquer tipo de luta. Logo, os escravos utilizaram o ritmo e os movimentos de suas danças africanas, adaptando a um tipo de luta. Surgia assim a capoeira, uma arte marcial disfarçada de dança. Foi um instrumento importante da resistência cultural e física dos escravos brasileiros.

A prática da capoeira ocorria em terreiros próximos às senzalas (galpões que serviam de dormitório para os escravos) e tinha como funções principais à manutenção da cultura, o alívio do estresse do trabalho e a manutenção da saúde física. Muitas vezes, as lutas ocorriam em campos com pequenos arbustos, chamados na época de capoeira ou capoeirão. Do nome deste lugar surgiu o nome desta luta.

Até o ano de 1930, a prática da capoeira ficou proibida no Brasil, pois era vista como uma prática violenta e subversiva. A polícia recebia orientações para prender os capoeiristas que praticavam esta luta. Em 1930, um importante capoeirista brasileiro, mestre Bimba, apresentou a luta para o então presidente Getúlio Vargas. O presidente gostou tanto desta arte que a transformou em esporte nacional brasileiro.

Três estilos da capoeira 
A capoeira possui três estilos que se diferenciam nos movimentos e no ritmo musical de acompanhamento. O estilo mais antigo, criado na época da escravidão, é a capoeira angola. As principais características deste estilo são: ritmo musical lento, golpes jogados mais baixos (próximos ao solo) e muita malícia. O estilo regional caracteriza-se pela mistura da malícia da capoeira angola com o jogo rápido de movimentos, ao som do berimbau. Os golpes são rápidos e secos, sendo que as acrobacias não são utilizadas. Já o terceiro tipo de capoeira é o contemporâneo, que une um pouco dos dois primeiros estilos. Este último estilo de capoeira é o mais praticado na atualidade.




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